quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Urgh!

Eu nunca fui o tipo de menina que os garotos se sentiam a vontade para sentar e conversar. Eu nunca fui nenhum tipo de garota que se encaixava em padrões muito altos de beleza; eu nem sequer fui apresentada a eles. Fui o tipo de garota de aparelho nos dentes, de óculos com armação tosca e sem essa de depois passar pelo truque avassalador da gata borralheira. Eu não fui a mais tímida, não a última a beijar na boca, não a primeira a me apaixonar, mas sempre estive tão ridicularmente a margem da média geral que me dava raiva ser tão normal. Nunca fui uma rebelde sem causa, uma patricinha rosa pink, uma cdf assumida, nem uma bagunceira. Mas já briguei na frente da escola... isso pelo menos eu fiz. E não me arrependo... não foi por nada, por ninguem especialmente, acho que foi por mim. Queria dar um soco na vida morna e sem graça, queria cuspir de volta o que me empurravam guela abaixo, queria sentir algo realmente vivo acontecendo dentro de mim: raiva! Raiva especialmente das pessoas, dos sistemas que compunham a vida, que ditava as regras... argh! Eu queria sentir raiva de verdade, mas quando olhava de frente me via compassiva, aceitadora! Por esse motivo, mesmo sentindo tantas coisas confusas, sempre fiquei quieta... fora essa única exceção da briga na porta do colégio! Hunf! (...)
Acho que fiquei quieta tempo demais durante a formação da "adulta" que hoje olho no espelho. Tão quieta que aprendi a passar despercebida, sempre. Não por querer exatamente, mas porque aprendi a me comportar assim e pronto...que mais eu posso fazer?!
Não posso mudar por causa das coisas que outros pensem ou deixem de pensar.
E o mais contraditório de tudo é que depois de tanto a gente imaginar o que pensam as pessoas, na realidade não queremos realmente saber. Acredite é melhor que eles guardem pra si mesmos.
Eu não quero saber se a pessoa simplesmente acha que eu deveria sorrir mais ou falar mais. Que ao falar eu preciso olhar diretamente para ela e não ficar procurando pontos fixos em que possa me distrair. Eu não quero saber se não correspondo as expectativas desse mundo competitivo, eu simplesmente não quero saber se gosta de mim ou não... eu não quero compreender se meu jeito camuflado de ser é dificil demais para as pessoas aguentarem, pelo contrario, é bom pra mim... e especialmente, eu não estou a fim de ser uma desculpa para outras pessoas usarem para justificar o distanciamento entre eu e a dita cuja.
Seja vc, que serei eu mesma. Pra mim, é o que importa.
E acha que é o pensamento de uma jovem rebelde sem causa?! Pode achar. Quem sabe eu não encontro finalmente um título em que possa me encaixar?!

;p

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Corre corre de cada dia...

- Oi, prazer! Luma...

E pego a pessoa com aquele olhar de "será que entendi direito?!"... Depois de um tempo paralisado a pessoa acorda e ressurge com aquele olhar já connhecido por mim, aquele olhar de "joselito", de chato que perde o amigo mas não perde a piada, aquele olhar... argh... aaaqeeeleeee oooolharrrrr.....

- de Oliveira?!

- Hehehe...

Idiota... mais um!!!

Penso eu...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Tudo ok. (...) Não, não está.

Eu não sei se sou eu quem muda muito de idéia ou se é todo o resto que muda muito de lugar, de gosto, de jeito, de forma... Cada momento pra mim é diferente do outro: isso pode até parecer óbvio mas é insano. Cada hora eu quero algo diferente, percebo o mundo de uma forma deprimente ou alegre, numa escala de uma a dois, tão rápido e tão repentino que não tenho tempo de assimilar a idéia ou de argumentar contra. Minha mente simplestemente pensa ou deixa de pensar, me guiando até o ápice da euforia ou na derradeira fase da depressão. Agora mesmo, escrevo com raiva. De mim, do universo, de todos... imensa vontade de correr e gritar num infinito de emoções que teriam forças suficientes para causar um enorme explosão, e enquanto escrevo parece que toda essa raiva nem faz tanto sentido assim.
E como tomar uma decisão, e permanecer nela, lutar para alcançá-la, sofrer e não temer qualquer dúvida sobre o que está definitivamente decidido, se não há definitivo para essa mente que tenho?!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Desabafo.


Reescrever. Apagar pessoas. Sem sentir dó, sem sentir dor. Apagar as marcas, esquecer as mágoas. Mudar o cabelo, o rosto, de corpo e de alma. Esvaziar o coração. Sentí-lo pulsar novamente.
Pensar e conseguir voltar o tempo. Tac Tic do relógio sendo posto para trás. Ver novamente as pessoas que hoje vc sente arrependimento de ter conhecido tão bem, numa epóca que ainda era atraente conhecê-las melhor, deixar elas passarem, e apenas passarem sem tantas marcas, sem muita consideração. Evitar olhar, sentir, falar. Simplesmente evitar.
Colocar um ponto final no começo desastroso e não aguardar até o fim para ver que realmente é desastroso, de qualquer ângulo que se olha... de qualquer maneira que se aceita.
Não ter que viver esse fim e também o seu começo... imaginar apenas o que poderia ter sido, como agora, mas sem precisar ter realmente acontecido. E pensar: - E daí?! Estou bem melhor agora...!!

Ponto final de uma história sem começo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Lembranças.1: Por que existe distância?!


Engraçado como tem certos momentos de nossas vidas que ficam marcados para sempre. E não importa em que ocasião, lugar, não importa exatamente com quem e sim o quanto esse certo momento é forte o suficiente para deixar marcas.
Uma das lembranças da minha infância (lembrando que foi antes dos 6 anos e antes dos 6 anos eu não conhecia a Danúbia...rsrs) foi uma certa ida para a minha escola, chamada Chapeuzinho Vermelho (que gracinha! rsrs) num dia normal, sem nuvem no céu, sem chuva, sem frio, nem calor.. Somente uma simples ida, segurando a mão da minha avó (linda), e com minha irmã do lado, minha jardineira (vc sabe o que é isso?!) xadrez de vermelho e branco, rodada e com meu nome bordado na frente (sabe como criança é tudo igual né?! Poderiam me confundir... rsrs).
Nessa ida, nesse dia normal, me ocorreu algo em meus "profundos" pensamentos que antes jamais ocorrera: o mundo era grande demais... por que mesmo, hein?!
Indaguei minha avó sobre isso e ela apenas denunciou coisas que nada explicavam o motivo apenas tentava me deixar satisfeita com uma resposta mais ou menos entendida. Mas criança adora saber o porquê das coisas e eu?! Ah, eu não era diferente. Perguntei de novo: por que que é tudo desse jeito? Por que as pessoas tem que estar longe, por que simplesmente não podemos estar perto das pessoas que gostamos, por que não posso ver minha mãe na hora que eu quiser, por que ela não pode ficar sempre perto quando eu preciso. Por quÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ?!
Silêncio...

- Chegou na escola, meu bem! Boa aula!

Nesse dia, eu entendi: a gente tem que aceitar as coisas como elas são e mudar o que conseguimos.*


*Entendi nada... me deu vontade foi de dar birra e acabar logo com aquilo!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tampões nos ouvidos=Carência do coração!


Penso que hoje em dia ninguem está assim tão interessado na sua vida. Só se for mesmo pra fazer fofoca, saber de algum "podre", uma história bem "cabeluda". Do contrário, se vc só tem mesmo vivido sua vida normalmente, seguindo o que acha certo e enfrentando problemas normais (o atraso do ônibus, não ter guarda-chuva quando o tempo fecha, ficar molhada por causa de um filho d'uma $$%#%#¨$&%*¨* que passa correndo de carro em cima de uma poça de lama e te deixa toda suja, enfrentar uma chateação no trabalho e etc e tal...) ninguém ao menos presta atenção no que fala e quando presta finge que está ouvindo, fixa os olhos em alguma coisa do além e fica paralisado enquanto vc conta coisas que a pessoa nem faz ideia do que seja.
Hoje as pessoas não gostam mais de ouvir, gostam de teclar com outras que moram a quilômetros de distância e que são seus melhores amigos... Isso é bom?! Claro que é, não serei hipócrita de atirar pedra em algo que eu mesma faço. Mas ás vezes é bom mesclar as coisas... Viver um pouco de tudo pra ter experiências! E a melhor experiência que se pode ter é ouvir. Ouvir o que as pessoas dizem pode, em certos momentos,mudar o seu dia, sua forma de ver as coisas, seu estado de humor, sua vida...
Eu, nos meus quinze anos, fiquei sabendo da mais bonita história de amor que se não tivesse acontecido influenciaria diretamente na minha existência. Daquelas histórias que a gente vê em filmes de época, onde há vestidos rodados, gravata de borboleta, onde a condução é um animal, onde há pais que os filhos respeitam. Meu vôzinho e minha vózinha são um daqueles casais que se apaixonaram num contexto maravilhoso, venceram a implicancia dos pais e se casaram, como o costume mandava. Minha vó foi embora da casa do meu bisavô sentada na garupa de um jegue (rsrs) e imensuravelmente feliz e realizada. Minha vó que me contou isso... e eu adorei ouví-la. Ainda bem que ela ainda se encontra conosco, e meu vô também.. Mas eu não sei até quando e por isso a aproveito ao máximo.
Numa outra ocasião, sentada no ponto de ônibus esperando essa maravilha de invenção que sempre insiste em atrasar, eu conheci uma moça da qual eu não sei ao menos o nome. Mas que estava terrivelmente angustiada porque havia acabado de perder o seu irmão. Se eu apenas me fizesse de cega, como muitas pessoas fazem, talvez aquela pessoa jamais tivesse conversado comigo. Mas resolvi perguntar o porquê dela estar chorando e ela acabou me contando. Por coincidência pegamos o mesmo onibus e fomos todo o caminho conversando. Quando descemos, também na mesma parada, ela me abraçou e me agradeceu por simplesmente tê-la ouvido... Naquele dia, eu me senti útil...
Claro que não estou falando de vc se inscrever no CVV ou algo do gênero mas as vezes alguem do seu lado está precisando de algum "ouvido amigo" e a gente se faz de surdo, as vezes de cego... e engraçado: ninguém, nunca, em hipótese alguma, se faz de mudo... porq se é pra falar todos se habilitam: acho que é uma espécie de carência geral do mundo, que pode ser diminuida se praticarmos mais essa proeza de ouvir... e sabe que não dói nada?!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lembranças...


Eu era uma menina. De mala e coração na mão. Não sabia bem qual seria a próxima parada do trem, qual seria a próxima despedida, quantas lágrimas me custariam um adeus. Dos meus pais eu só sabia o nome e a saudade. Da minha mãe eu lembrava do cheiro, do cabelo de seda, longo, liso e escuro: como a imensidão da noite que sempre estava por vir. Do meu pai eu só lembrava o vulto, a voz... sempre abafada pelo telefone, sempre fazendo eco pela distância em que se encontrava. Eu só tinha a mala e minha irmã do lado.
Minha vida, pelo menos pelos primeiros cinco anos de idade foi marcada pelo vai e vem de caminhos percorridos. Conheci e morei em várias cidades diferentes. Por períodos curtos; conheci gente que hoje nem me lembro mais da face. Só sei que eram parentes, e ainda o são, se ninguém provar o contrário. E isso era fruto da falta de um lar para os meus pais, da falta de planejamento; fruto do excesso de sonhos.
Não estou julgando. Estou apenas contando a minha história. A deles eu não o poderia fazer porque nunca entendi muito bem. Só me lembro o que conto agora, e só conto o que me lembro, com todas as particularidades da minha visão das lembranças. Parece um daqueles sonhos embaçados em que um dinossauro aparece, não se consegue gritar, corre e não sai do lugar.
No mais, me lembro de macacos num quintal, de chuva no fim da tarde, de um carro branco com uma pessoa indesejada no banco de passageiros. Me lembro de andar de bicicleta, de um primo muito amigo, de machucar meu dedo e arrancar minha unha.... (ai ai ai!!). Me lembro de lágrimas, de uma piscina cheia de água e de sonhos... me lembro de uma foto na parede, de um sobrado muito bonito, de um dia na praia, de uma noite sofrida depois de pegar insolação. Me lembro de um blusa com girassol e mangas amarelas que mamãe usava quando chegou pra nos buscar.. me lembro que era surpresa e que pela primeira vez depois de muitos: “ Sua mãe chegou!”, era realmente verdade. Não sei qual a ordem dos fatos mas me recordo... e recordar é viver, de novo e de novo...